Novembro 24, 2020, 07:55:31  | Notícias: Oferta de Cursos Remunerados  || Novas Respostas  | Tópicos por Ler

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Tópico: Considerações de uma formadora de idioma Espanhol (curso efa)  (Lida 1746 vezes)

Offline mape

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Ali estavam todos. Em nada se pareciam com a foto da turma que tenho no meu computador. Diversos, intranquilos e curiosos tinha frente a mim o grupo de pessoas que integram o Curso de Empregado/a de Andares; são adultos que têm como meta fazer o nono ano, com saída profissional.

Recorrendo ao tradicional, nesta ocasião crasso erro, perguntei sobre o que conheciam sobre o idioma espanhol. A resposta não se fez esperar, foi uma lição, uma sentença; a partir de ali tive que cambiar o meu método. Foi quase a coro: “ ¿por quê no te callas?”. E realmente assim comecei, defendendo o enfoque comunicativo para assegurar a aprendizagem ao longo da vida, não só do ponto de vista académico como no crescimento humano. Isto implica estimular o diálogo, proporcionar situações polémicas e considerar que todas as influências educativas, que se geram no processo de aprendizagem, nem sempre requerem uma educação formal na sala de aula, uma vez que temos alcançado o ambiente e as condições para garantir um ensino significativo.

Minha função social como formadora do curso EFA, conjuntamente com os meus colegas, é proporcionar uma segunda oportunidade aqueles que por diversos motivos interromperam ou nunca tiveram acesso aos estudos na idade escolar. É garantir um direito de todos. Necessitava de um elemento motivador que tivesse em conta o geral e permitisse expressar o particular de cada formando/a. Um elemento motivador que tivesse em conta as seguintes características do Ensino de Adultos:

• Ser flexível.
• A primeira actividade social do adulto é cuidar da família e do trabalho: não estudar.
• A composição sociocultural dos alunos adultos e os seus níveis a partir do conhecimento são muito heterogéneos e requerem uma atenção pessoal.
• As actividades de aprendizagem para educação de adultos estão intimamente relacionadas com as suas motivações de natureza económica e social.
• O adulto é protagonista político e social qualquer que sejam as suas funções ou tarefas e como tal devemos respeitar.
• O adulto tem a experiência e maturidade para assumir as mudanças de comportamento através de um processo de auto-educação.
• Na aprendizagem dos adultos a comunicação permitirá debater os seus problemas e compartir saberes num clima de confiança. A possibilidade do intercâmbio evidenciará sempre que tem determinado conhecimento.
• O adulto não dispõe de muito tempo, deve sentir-se motivado e perceber a utilidade do conhecimento. Com estas peculiaridades, mencionadas a grosso modo e sem pretender teorizar, tinha ante mim um grande desafio: ensinar espanhol básico (Utilizador Elementar A1 Introdutório, segundo o Quadro Europeu Comum de Referência) e incorporar vocabulário técnico de acordo com o perfil profissional dos formandos.

Era imprescindível procurar as alternativas que favorecessem a incorporação activa do grupo e a sua retenção, este último parâmetro muito desfavorável neste tipo de ensino. Com “la camisa negra” , “el corazón partío” e dançando “Aserejé” Servi-me de uma efectiva e afectiva ferramenta didáctica: o exercício de audição (momento mais esperado nas aulas) - neste caso as propostas são canções. O objectivo: exercitar a língua através da música e ao mesmo tempo utilizar a canção para "produzir" língua. As canções proporcionam vocabulário, gramática, permitem trabalhar a pronunciação, a escuta e favorecem tanto o conhecimento dos aspectos culturais da língua de estudo como a associação da língua a cultura. A tudo isto há que agregar o poder da música para estimular as emoções, a sensibilidade e a imaginação.

Explorando o componente emotivo, posso concluir que os formando/as participam de maneira activa na criação do significado dos textos, não se limitam a uma audição passiva. Esta participação centra-se, durante o processo de aprendizagem, na resposta de cada adulto, que consegue compreender o texto, a mensagem concebida nele, não só pelo ritmo ou pelo cantor mas também pela experiência, dotando, de facto, a letra dum significado pessoal. Sem pretender por fim ao tema, termino por hoje, mas numa próxima oportunidade compartilharei com vocês algumas sugestões didácticas para a utilização deste recurso de aprendizagem, sem esquecer o seu importante papel como elemento aglutinador de disciplinas, porque também facilita a interdisciplinaridade.

Por isso, estimados colegas, os convido a cantar com os nosso formando/as; acreditem que será muito melhor que no chuveiro e as palmas estão garantidas. Pode aparecer esta frase: “Ai daqueles que pararem com sua capacidade de sonhar, de invejar sua coragem de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanhã pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de rotina”.Paulo Freire

Ana Salvador
Formadora da Língua Espanhola Curso EFA – Empregado(a) de Andares

Retirado de: http://cfcontinua.blogspot.com/2011/02/algumas-consideracoes-da-minha.html
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